03/02/2026

Mulheres autistas e sua complexa sexualidade

  Oi, eu sou a Stef! 

 Eu sei, vocês devem estar se perguntando o motivo de eu ter voltado a postar... Pois bem, o motivo é bastante especial: Voltarei a fazer posts complementares para meus vídeos. E nesse teremos a participação especial da Monica Maria (@autorasombria) ♡
 E vamos ao assunto principal: O que faz com que a sexualidade de mulheres autistas seja tão diferente da de mulheres que não são autistas?

 Eu cresci notando que as minhas experiências em relação a autoconhecimento e sexualidade sempre foram muito diferentes das de outras garotas da minha idade. Quando eu era adolescente eu ainda não tinha sido diagnosticada como autista, portanto eu achava que só era "esquisita".
  Todas as minhas colegas começaram a ter suas próprias experiências e elas se expressavam visualmente de uma forma mais feminina que eu. Nesse período, eu sentia que não era merecedora do mesmo tipo de expressão, e para ser sincera, eu não me via como mulher, nem mesmo como um ser humano! 
  Era como se não existisse um lugar para mim.

 O processo de autoconhecimento só veio de verdade depois que eu me entendi como autista e trabalhei muito em amar a mim mesma. Foi algo demorado e diria que é um trabalho constante, mas posso dizer que atualmente me vejo de forma humana.
  Uma das coisas que mais me ajudou, além das que mencionei, foi consumir mídias que me fizessem me sentir menos sozinha. É por isso que eu AMO cinema sobre mulheres/garotas estranhas. 
  Irei abordar esse assunto com mais detalhes no meu vídeo. Assim que ele sair, haverá um link aqui.
  Agora fiquem com a entrevista e o relato da Monica, onde ela explica com muita profundidade as experiências dela em torno deste tema :)
1 - O que te ajudou a se expressar e entender melhor sobre si mesma e sobre sexualidade?

  Levei a vida toda para ter coragem de usar minha voz. Durante a sexta e a sétima série sofria muito bullying na escola. Até meus 30 anos usava somente camisetas largas e calças, desprezava sexo, maquiagem e tudo relacionado a sexualidade e ao feminino. Essa postura defensiva se tornou uma muralha de proteção, se eu desprezasse esses assuntos, nunca teria que lidar com a enorme ferida na minha autoestima como mulher, o quanto me achava feia, magra demais, estranha e inferior. Além disso, também tive a infelicidade de sofrer assédio e abuso por parte de homens durante a adolescência e na época dos 20 anos. O tabu em relação a saúde mental naquele tempo era maior do que sobre sexo, então achava que meus sintomas de depressão e ansiedade eram bobeira. Isso acumulou tanto peso sobre minha autoestima que me afundei. 

  Eu me culpava pelo que sofri, me via como suja e promíscua porque tinha aceitado sair com aqueles homens. Nunca pensei que a culpa seria deles. Não tinha com quem conversar abertamente, todas as minhas amigas sofriam, ou tinham sofrido, o mesmo e também tinham vergonha das próprias atitudes em vez de enxergar a situação como abuso. Consumia histórias sobre sexo em segredo, como se fosse um pecado. Quando tive a chance de ter atendimento psicológico, o cenário mudou. Graças a terapia, e criadoras de conteúdo que falavam sobre o tema, superei aos poucos. Eu não estava mais sozinha. As mulheres ganharam cada vez mais espaço na internet e na mídia, por isso admiro tanto seu trabalho, Stef. Mulheres como você fazem uma grande diferença na vida de muitas de nós. 

  Quando completei 30 anos, uma chave virou. Foi como se a espiritualidade tivesse aberto um terceiro olho que me permitiu enxergar tudo com clareza. Criei coragem para me ver como mulher e não como uma menina. Levou um tempo para que essa mudança ocorresse. No começo, me expressava somente na aparência. Comprei roupas que tinha vontade, como lingeries e camisolas, mudei o cabelo e aprendi maquiagem. Esse foi o primeiro degrau da caminhada. 

  Quando postei a primeira foto sensual no Instagram, estava só experimentando uma camisola. Não tinha nenhuma intenção clara, mas acabou sendo o post mais curtido. Na época alcancei quase 500 curtidas. O problema foi que minha autoestima cresceu a partir de validação alheia. Na época eu postava ensaios para chamar a atenção de uma mulher com quem estava saindo. Sofria demais com crises de ansiedade por insegurança apesar das fotos serem ótimas. Depois disso entrei na neura de postar sempre para alimentar o ego de validação. O que piorou quando comecei a me relacionar com um homem que me usou. Tive inúmeras crises por conta disso, mas dessa vez recebi ajuda. Já estava praticando meu culto a Exu e Pombagira, então criei coragem para sair daquela situação. 

  Sai com outros homens após isso e, apesar de alguns serem babacas, foram importantes para meu crescimento, pois foi quando parei de aceitar pouco, de me calar e de buscar validação. Ao enfrentar esses homens, recuperei minha voz. Dizer não mudou minha vida. 

  Parei de postar as fotos por um bom tempo. Me retirei para dentro de mim e resgatei meu valor como mulher. Não foi fácil, mas eu estava tão determinada e cansada de injustiças que nada me parou. Eu acho que as mulheres descobrem sua autoestima quando se cansam e se rebelam contra as injustiças que sofreram do patriarcado. Isso é extremamente poderoso. 

  Quando conheci meu namorado, que também é autista, recebi amor, carinho e respeito genuíno. Saber que posso ser amada sem filtros e maquiagem foi um ponto crucial para eu parar de me ver como a mulher das fotos sensuais e passar a me ver como uma mulher inteira. Eu busquei pela autoestima nos olhos quando ela vem de um lugar profundo da nossa alma. 

  A sexualidade veio naturalmente quando me libertei de expectativas masculinas e de tudo que os homens me disseram e me fizeram acreditar. Uma vida sexual saudável é essencial para isso. Com meu namorado pude explorar com segurança, respeito e liberdade. Quanto mais tive isso, mais fui descobrindo essa camada gigante da sexualidade que estava adormecida. Quebrei o bloqueio com a minha escrita, troquei o gênero do terror por romance sombrio. Quebrei também padrões de pensamentos negativos, medo de julgamento e da sociedade. A partir do momento que pude dizer em voz alta “eu gosto de sexo” tudo se encaixou. Eu tomei meu lugar, meu trono como rainha do meu próprio corpo e da minha mente. A sensualidade está em mim quando visto pijamas ou lingeries, quando acordo descabelada ou quando uso penteado. 

  Hoje a sexualidade é tão amada por mim que consigo me expressar a respeito através de fotos, histórias, poemas e moda. Quando escrevo ou posto, quero inspirar outras mulheres a fazerem o mesmo, quero estender a mão para aquelas que estão presas no mesmo cativeiro que estive e mostrar que ser dona de si mesma é nosso maior poder. 

  Também acho importante falar sobre isso para que meninas, principalmente adolescentes, saibam se estão sofrendo abuso e que não precisam aceitar nada em silêncio. Para mim, a expressão da sexualidade vem com um sentido além do visual, é sobre a tomada do direito feminino ao próprio prazer e bem-estar, algo que nos é negado desde a infância. A sexualidade feminina é um grande ato político sobre saúde física e mental, liberdade e direitos. 
Assim como a maioria das mulheres com TEA, passei a vida sofrendo uma infantilização por parte de homens e adultos. Hoje eu paro para pensar nisso e me dá asco. Os homens me chamavam de fofa, meiga, delicadinha, cara de novinha enquanto davam em cima de mim. Isso vinha somente de caras maiores de idade, o que piorava a situação. Vou compartilhar um momento de assédio que sofri na Bienal do Livro relacionado a isso. Eu estava com meu amigo na área de quadrinhos independentes e um autor dessas HQ’s me abordou, perguntou se meu amigo era meu namorado e ele negou. Depois disse o seguinte: “nossa, você tem cara de novinha. Se eu te visse em uma balada, ia ficar com medo de chegar em você por achar que você seria menor de idade”. Fiquei indignada com isso. Ele deixou evidente que tinha atração por meninas novas, inclusive, recuou quando falei que tinha 31 anos. 

  Por eu ser introvertida, franzina e ter rosto “babyface” achei que nunca poderia ser uma mulher gostosa, muito menos poderosa. Essa crença foi quebrada quando parei de interagir com homens cis heteros e me cerquei apenas de mulheres e rapazes LGBT (meu namorado é panssexual). O acolhimento feminino foi muito importante também, não é uma validação, é uma comunidade. Quando recebo elogio de uma mulher, sei que foi verdadeiro e não só porque ela tem alguma intenção maliciosa. Ter um olhar atento às pessoas que te cercam faz parte da autoestima, por isso se afastar de quem inibe sua sexualidade, ou te vê apenas de forma sexual, é fundamental. 

  Nossa sexualidade é para agradar a nós mesmas. Nosso prazer deve ser priorizado pela gente. Esse é o pensamento que mantenho agora. 


2 - Qual conselho você daria para mulheres neurodivergentes?

  Não sejam mulheres passivas. Nós, neurodivergentes, somos ainda mais vulneráveis aos homens predadores. Não aceite o que esteja te incomodando, mesmo que seja um tom de voz ou uma piada. Se o toque físico, seja sexual ou um beijo, estiver desconfortável, se afaste. Pode parecer óbvio, mas muitas de nós ainda ficamos em silêncio diante disso por achar que estamos exagerando ou sendo chatas. 

  A sexualidade fala através de várias formas. Não tenham medo de se expressar sobre isso de um modo diferente do convencional. Quanto mais fiel a si mesma você for, mais prazer irá sentir. O sexo é uma forma de amor, paixão e conexão humana. Não tem nada de errado nele. 

  Invista na sua segurança e no seu conforto em primeiro lugar, procure uma ginecologista, tire suas dúvidas, conheça seu corpo e seus limites. Busque por terapia para conversar sobre isso, entender suas inseguranças, medos e traumas. A cura da nossa sexualidade é nosso primeiro passo para a liberdade. Não divida esse momento com quem te oferece pouca atenção e carinho. Seja exigente, seu corpo é seu reino e você só deve permitir entrar quem te tratar como uma rainha. 

  Fale sobre isso com suas amigas, sua mãe ou com mulheres de confiança. Não precisa guardar tudo sozinha, compartilhar suas experiências e dúvidas vai te trazer ainda mais conhecimento e alívio, além de quebrar a barreira criada pelos tabus da sociedade. Você passa a enxergar o sexo como algo comum, parte da rotina de qualquer ser humano. 

  Não foque apenas no visual. Encontre a si mesma e depois a expressão pela arte e pela moda vem naturalmente. Nunca busque validação, esse é o caminho mais rápido para crises de ansiedade. Você pode expressar sua sexualidade sozinha no quarto ou no Instagram, o importante é que isso seja sua voz para o mundo e não uma ânsia por ser vista. 


3 - Você tem alguma recomendação de mídia que te ajudou? (Livros, filmes, qualquer formato)

  Minha maior inspiração é a Madonna. Ela foi uma das pioneiras a reclamar o direito feminino à sexualidade, erguendo a voz em pleno anos 80/90, ensinou sobre segurança e saúde sexual e deu voz às mulheres. Minha mãe foi uma grande fã dela e me criou ouvindo as músicas e vendo os vídeos. 

  O que me ajudou também foram filmes e livros feitos por mulheres. Parar de consumir filmes e livros sobre sexualidade feito por homens mudou minha vida. O mesmo vale para a música. Passei a escutar muito mais vozes femininas como Lady Gaga, Taylor Momsen e Sabrina Carpenter. Acho que muitas mulheres aqui vão amar a Taylor Momsen, ela é uma das maiores representatividade de poder sexual feminino no cenário do rock. 

  Vou deixar aqui dicas de filmes, livros e séries feitos por mulheres que me ajudaram demais nessa descoberta. 

Fleabag (série)
Nessa série acompanhamos uma mulher adulta que gosta de sexo e de se relacionar com vários parceiros. Ela é vista como inconsequente e louca por conta desse comportamento livre enquanto os homens que agem da mesma maneira nunca sofrem julgamento. 

Garota Exemplar (livro)
Esse é meu livro favorito da vida. A personagem Amy faz discursos incríveis sobre patriarcado, liberdade feminina e o lado sombrio da mulher. 

Bound (filme)
Filme sáfico com cenas quentes maravilhosas. Tem um enredo muito poderoso também, um dos melhores que assisti. 

Saint Maud (filme)
Esse fala sobre repressão sexual religiosa. Maud é uma mulher reprimida pelo catolicismo que deseja expressar sua sexualidade, mas carrega a culpa do pecado. É bem mais sombrio, mas muito bom. 

Thelma (filme)
Esse é um dos filmes sáficos mais lindos sobre o despertar da sexualidade feminina. Ele vem com várias metáforas. 

Babygirl (filme)
Lançou recentemente e conta sobre uma mulher mais velha infeliz com a vida sexual, então ela começa a praticar BDSM escondida. É um filme mais dramático e intenso, mas bem visceral. 

Lisa Frankenstein (filme)
Esse é bem divertido e leve em comparação aos outros. A protagonista é uma adolescente gótica que está na fase de despertar da sexualidade. Ela se apaixona por um cadáver revivido, como o monstro de Frankenstein. Não tem cenas explícitas, apesar do contexto sexual. 

  Recomendo também livros de dark romance. Esses três são os meus favoritos por terem uma pegada gótica e enredos com assassinos em série. As cenas quentes são ótimas e as protagonistas não são passivas. Elas agem, têm personalidade e passam pela jornada de retomada da sexualidade. 

A Outra Metade de mim 
Nossas Almas Famintas 
Scarlet Devotion 

22/10/2024

A música gótica brasileira e seus aspectos políticos

   Oi, eu sou a Stef! 

  Uns tempos atrás eu fiz um vídeo (Que deu polêmica!) sobre a Subcultura Gótica e seus aspectos políticos. O motivo desse alvoroço todo é que algumas pessoas não tem a percepção (Ou escolhem ignora-la) de que existe muita política por trás da música gótica

  Da música gótica britânica a música gótica brasileira política sempre foi um aspecto presente. Veja, a subcultura surge num momento bastante conturbado politicamente no mundo. O Reino Unido passava por uma onda de conservadorismo com Margaret Thatcher, já aqui no Brasil a situação era ainda mais confusa: o país se recuperava de uma ditadura militar. Havia muito medo e ao mesmo tempo uma necessidade de expressar muita coisa. A música gótica brasileira é marcada pela anarquia.

  A música gótica brasileira oitentista brinca com a moralidade. Entre palavras bonitas e sujeira, às vezes é séria e com mensagens impactantes, às vezes é suja por ser suja. Recordo-me logo do trecho "Quanto mais sujo melhor!" da música Jovens Raptados de Ida e os Voltas.

  Falando de raízes e anos 80, de vez em quando recebo comentários de góticos que vivenciaram "a era de ouro" da subcultura no Brasil, e esses sempre insistem comigo que política era irrelevante. Mas, será mesmo? Vamos analisar um pouco das raízes da música gótica brasileira.

  Impossível falar sobre música gótica brasileira sem mencionar a primeira banda de post-punk brasileira: Voluntários da Pátria.

  Logo em 1984, a banda lança um álbum controverso para os moldes da época. O álbum com mesmo título da banda, trás músicas questionando a política repressiva de seu período e ainda é corajoso o suficiente para falar sobre socialismo e progressismo numa época em que esses temas eram extremamente reprimidos pela ditadura militar. Acho de extrema importância destacar que a ditadura só teve fim em 1985. Ah, e sim, esse álbum foi um dos censurados pela ditadura na época. (Que surpresa!)

  Um cenário musical marcado por bandas subversivas como Fellini, Kafka, Arte no Escuro, Akira S & as Garotas que Erraram e tantas outras bandas e projetos não poderia fugir desses conceitos atualmente. 
  Atualmente temos bandas/projetos como Plastique Noir, Rasha, Inês é morta, Code Six e tantos outros, que abraçam o lado subversivo, sujo e às vezes controverso da música gótica.
  Para concluir, a música gótica foi, é e sempre será subversiva e repleta de aspectos políticos.

01/10/2024

Pirataria e a democratização da cultura

  Oi, eu sou a Stef! ✦•┈๑⋅⋯ ⋯⋅๑┈•✦
 
 Voltando a postar aqui no blog depois de uma pequena pausa! Hoje irei comentar um pouco sobre a minha visão em relação à pirataria.
  Primeiramente, quando falamos sobre pirataria precisamos ter uma pensamento bem crítico. Quando digo isso, me refiro à vários tipos de pensamentos críticos. Você precisa realmente definir limites e entender até onde a pirataria é uma forma de democratização da cultura e onde ela se torna algo totalmente antiético.

  Quando eu penso em pirataria, logo penso em como o acesso à cultura no nosso país é elitizado. Eu particularmente raramente consigo ir ao cinema, pois é muito caro. Mesmo sendo apaixonada por arte, tive pouco acesso a arte fora da internet, pois além das minhas condições financeiras, eu também vivo numa cidade pequena.
  Esse tipo de condição me fez buscar por cultura virtualmente. Tive acesso à muitas coisas através da internet e sou grata à todas as pessoas incríveis que arquivam filmes e outros conteúdos artísticos por aqui.
  Entretanto, como eu mencionei no começo do post, precisamos ter uma pensamento crítico em cima da pirataria. Na minha visão não faz sentido sair pirateando todo tipo de mídia. Principalmente de artistas pequenos. Eu particularmente não pirateio nenhum livro que esteja disponível em e-book. Esses livros são muito acessíveis e eu acho de extrema importância apoiarmos novos escritores.
  Conclusão

 Se você puder consumir o produto original consuma. Mas, não deixe de lembrar que boa parte da população não tem acesso à cultura.
  Evite ao máximo piratear conteúdo de artistas independentes, sério isso sim é terrível! Sempre se mantenha crítico.
  

Enfim, qual a sua opinião sobre esse tema?


Até mais! ✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧ 

14/09/2024

A subcultura Gótica não morreu nos anos 80: Desmascarando ideias elitistas

  Oi, eu sou a Stef! ✦•┈๑⋅⋯ ⋯⋅๑┈•✦ 

  Eu amo os anos 80. Os visuais, as músicas, o cinema... Tudo daquela época parecia realmente mágico e tão verdadeiro. Mas, mesmo apreciando tanto vários aspectos desse período, é necessário ter uma visão realista sobre muitas coisas. Primeiramente, temos que nos atentar à falsa nostalgia. As pessoas que viveram nessa época experienciam isso, e reproduzem isso em gerações mais jovens como a minha
  Querido leitor, tenha em mente que quando eu digo essas coisas, eu não digo isso para ofender gerações passadas ou diminuir a importância de tudo que o passado nos proporcionou. Quando eu falo sobre a falsa nostalgia, eu me refiro a idealização que todo mundo pode sentir sobre o passado. Eu mesma experiencio isso com coisas da década passada, mas basta lembrar das coisas com mais cuidado e atenção, que logo começo a lembrar que o passado não era nem perto de ser perfeito.
  E o que a Subcultura Gótica tem a ver com tudo isso?

  A Subcultura Gótica é uma das subculturas musicais mais afetadas pela idealização do passado
  Para compreender isso de uma forma mais aprofundada, basta estudar um pouco sobre a formação da subcultura. O próprio nome em inglês "Goth", já é uma referência aos bárbaros do passado. A forte associação com a palavra "Gothic", novamente uma menção ao passado. O tempo todo a música gótica é associada com aspectos diferentes e que parecem sempre remeter ao passado. Mas, será que isso realmente faz sentido com o que a Subcultura Gótica é de verdade?
  A Subcultura Gótica aborda o passado. A música gótica possuí raízes que vão muito além do punk. Musicalmente falando, vemos um pouco do que se tornaria música gótica em vários gêneros musicais do passado. Recomendo fortemente que leiam esse artigo maravilhoso sobre esse tema no blog da Gothic Station.
  Mas, observem essa frase com atenção: "A Subcultura Gótica aborda o passado". Quando eu digo isso, me refiro à forma que a música gótica relembra o passado, mas veja que interessante, a música gótica é subversiva. Quando um gótico trás esses elementos na música e até mesmo em sua estética, não lembramos do passado de uma forma romântica. Na verdade, é como se assombrássemos. Se repararmos bem, é parecido com o contexto literário do romantismo e o ultrarromantismo, tanto que o ultrarromantismo e a literatura gótica influenciaram muito a música gótica.
  Os góticos se interessam pelo passado e podem até vestir o mesmo, mas sempre existe uma ideia subversiva por trás de tudo isso. Sempre existe um pensamento crítico, e um desencaixe de valores. Basta notar o visual gótico, onde muitas regras sociais simplesmente não existem ou são revertidas
  Após esclarecer um pouco sobre a formação e ideias por trás da música gótica, vamos falar sobre o presente. Eu recebo muitos comentários no meu canal do Youtube de pessoas mais velhas. Entre essas pessoas, eu noto que existem dois grupos: pessoas que continuam explorando, estudando e apreciando a subcultura e pessoas que acham que só as músicas e conteúdo dos anos 80/90 são góticos e que a subcultura atualmente não faz mais sentido, ou na visão deles, é rasa e cheia de posers.
  Esse segundo grupo possuí um pensamento, que na minha visão, é terrível e muito nocivo para a comunidade gótica. Existe um senso de superioridade nesse pensamento. É a antiga e repulsiva ideia de que "Eu sou MAIS gótico que você", e esse tipo de elitismo não trás absolutamente nada de bom ou novo para subcultura. Para ter ideia, tem pessoas que acham que eu não posso falar sobre a subcultura, simplesmente por ser uma pessoa mais jovem. Por isso digo com toda confiança do mundo: A Subcultura Gótica não morreu nos anos 80, na verdade ela se adaptou e evoluiu como todo bom vampiro faria

  Existem inúmeros bons artistas novos por ai, os gêneros de música gótica estão muito mais bem definidos e diversificados, o visual gótico se renovou com o tempo. São tantos aspectos que eu aprecio na Subcultura Gótica atual que esse post poderia ser um livro gigantesco. Estamos num momento maravilhoso quando de trata de informações, minha geração foi muito privilegiada nesse sentido. Consegui ter acesso à muitos filmes, músicas, livros e informações que pessoas mais velhas na subcultura não puderam ter. Eu acredito que independente da sua idade é muito importante continuar conhecendo mais, se informando e em geral se enriquecendo com tudo que temos ao nosso alcance atualmente. Aprecie e estude o passado, mas não se prenda à ele. Viva o presente, crie, se expresse e desfrute da facilidade de informações que temos atualmente. Apoie novos artistas, compartilhe conhecimento. Não seja aquele velho chato que você mesmo odiava em sua juventude ;)

Até mais! ✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧ 

03/09/2024

Todo alternativo é um eterno estudante

  Oi, eu sou a Stef! ✦•┈๑⋅⋯ ⋯⋅๑┈•✦

  Acredito que toda pessoa alternativa, seja gótica ou qualquer outro tipo, tem desde o inicio de sua vida gostos e características diferenciadas, melhor dizendo: uma predisposição para algumas coisas. 

  Mas, é preciso ter em mente que mesmo que exista um interesse por essas coisas, não nascemos sabendo de tudo, e ai entra uma questão que eu acho muito interessante: todo alternativo é um eterno estudante, sempre existem mais coisas para aprender. Eu sei que isso pode parecer óbvio, mas o tempo todo vejo pessoas dentro e fora da internet achando que todo mundo deve saber de tudo, ou pior debochando daqueles que querem simplesmente aprender mais.


  Tendo isso em mente, o que podemos fazer para ajudar comunidades alternativas nesse sentido?

  Então, uma das coisas que eu acho mais importantes e que tento colocar sempre em prática é armazenar e distribuir tudo que eu consigo que possa ajudar outras pessoas a estudar determinadas subculturas.
  Esse tipo de ajuda pode ser feita de diversas formas, seja por pessoas que traduzem informações, armazenam filmes e livros e até mesmo pessoas que ajudam a catalogar e salvar músicas. Esse tipo de cuidado na minha visão é uma das coisas mais bonitas que existem dentro dessas comunidades.
  Outro aspecto interessante, é a divulgação e exploração não só de coisas antigas, mas também de coisas atuais. É muito importante ter em mente que por mais que subculturas possuam uma base, coisas novas chegam o tempo inteiro. Precisamos valorizar novos escritores, músicos, artistas e todas as pessoas que ajudam a manter o alternativo vivo.

   Conclusão

  Com essa ideia de sempre existir algo para aprender em mente, não sinta medo de estudar, perguntar e sempre querer descobrir mais sobre algum determinado assunto. Não se intimide com elitistas que acham que todo mundo precisa saber sobre tudo. Tenha em mente que esse tipo de pessoa só quer te assustar, a maior parte sequer realmente se importa com a subcultura ou gosto que diz seguir. Essas pessoas gostam do senso de superioridade, não dê à eles esse gostinho.

 Até mais! ✩₊˚.⋆☾⋆⁺₊✧